A tecnologia de laser scanning permite capturar, com precisão milimétrica, a geometria de sítios arqueológicos e monumentos históricos classificados. O projeto inspira-se na reconstrução de Notre-Dame.
Portugal está a construir o que pode ser descrito como uma “Arca de Noé Digital” para o seu património cultural. O Património Cultural, I.P. anunciou este mês o avanço do projeto PATRIMÓNIO CULTURAL 360®, que prevê o levantamento tridimensional de 35 imóveis classificados, espalhados por todo o território continental.
Os trabalhos, já em curso, abrangem monumentos e sítios arqueológicos com estatuto de Monumento Nacional ou Imóvel de Interesse Público. A metodologia assenta em tecnologia de laser scanning, capaz de gerar nuvens de pontos georreferenciadas com densidade e rigor milimétrico. Trata-se de uma representação digital que replica, com fidelidade técnica, a realidade física de cada estrutura.
O MODELO NOTRE-DAME COMO REFERÊNCIA
A inspiração declarada para esta aposta vem de fora. O processo de recuperação da Catedral de Notre-Dame, em Paris, depois do incêndio de 2019, tornou-se um caso de estudo internacional sobre o valor dos registos digitais preexistentes na reconstrução de patrimónios danificados. Portugal segue agora essa lição. Criar, antes da catástrofe, as ferramentas que permitam intervir depois dela.
“Mais do que representações visuais, os modelos resultantes destes levantamentos constituem ferramentas técnicas de apoio a arquitetos, engenheiros e especialistas em conservação e restauro”, sublinha a nota de imprensa do Património Cultural, I.P. Em caso de dano ou degradação, a informação poderá complementar os métodos tradicionais de análise, diagnóstico e medição.
O projeto insere-se na Componente 4 – Cultura do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), financiado pela União Europeia através do NextGenerationEU.
Para além dos levantamentos 3D, o PATRIMÓNIO CULTURAL 360® inclui digitalizações 2D, visitas virtuais e filmes documentais, todos acessíveis gratuitamente em arquiva.patrimoniocultural.gov.pt.
A iniciativa posiciona-se, segundo os seus responsáveis, como “um instrumento estratégico na modernização das metodologias de registo, estudo e valorização do património cultural, colocando a tecnologia ao serviço da sua preservação e transmissão às gerações futuras”.

