EDITORIAL – EDIÇÃO 8 | MAIO 2024

EDITORIAL – EDIÇÃO 8 | MAIO 2024

O Turismo tem sido a grande fonte de inspiração para as várias edições desta revista. Falemos de Turismo de Natureza, de Saúde e Bem-Estar, Religioso, Cultural ou Balnear, quanto mais se tipifica mais estas atividades se cruzam e entrecruzam por entre conceitos e praticantes.

Certo é que este é um sector fundamental para Portugal, pela sua importância no PIB (9,5% em 2023) e no emprego (direto e indireto). O Turismo representa ainda um quinto das exportações nacionais, número que sobe para quase 50% quando falamos especificamente de exportações de serviços. Mas, como quase tudo hoje em dia, também este é um assunto polémico e polarizado. Desde logo porque quase todos gostam de ser turistas, ou pelo menos de viajar, mas bastante menos de lidar com os outros turistas – sobretudo quando não se está de férias. É mais fácil gostar de visitar um país exótico do que sermos nós os exóticos visitados. Enchem-se discursos de chavões com muito “valor acrescentado”, escondendo muitas vezes que se prefere receber turistas ricos em vez de outros mais modestos.

“Democratizar” soa bem, “Turismo de massas” já nem tanto. A ironia é que quando alguém se vê desagradavelmente metido no meio de uma multidão não costuma pensar que ele é um dos causadores da confusão. O problema está sempre nos outros.

É também habitual ouvirmos discursos políticos a defender que Portugal não devia ser tão dependente do Turismo. Faz sentido, tudo o que seja ficar “dependente” só pode ser mau. O bom senso diz-nos que para que tal aconteça, não é preciso destruir o Turismo no país, basta que se criem condições para que os outros sectores prosperem. No entanto, já ouvimos muitas forças políticas a falar desta “dependência” apenas como início de conversa para castigar um sector com mais impostos, taxas e outros tipos de impedimentos.

Dito isto, seja por preferência, conveniência ou motivos económicos, continua a crescer o número de portugueses que faz turismo dentro do seu próprio país. Segundo um estudo apresentado pelo BPI ainda este mês, prevê-se que essa procura cresça 5% este ano.

Os nossos conteúdos destinam-se sobretudo a essas pessoas que gostam de visitar e ficar a conhecer melhor o seu próprio país. Mas não só, claro, também a todos aqueles que saibam ler em português. Seja por partilharem a mesma língua materna (Brasil, PALOP…) ou porque já a aprenderam entretanto. Aqui cabem também, por exemplo, os imigrantes que escolheram Portugal para viver e trabalhar e que, assim esperamos, passaram a ter curiosidade de conhecer outras regiões do país que os acolheu.

A todos, independentemente da sua nacionalidade ou poder de compra, o que se pede é respeito pelo património visitado assim como pelas populações, alojamentos e todas as infraestruturas criadas para os receber da melhor forma. Afinal, receber bem é uma das coisas que os portugueses mais se orgulham de saber fazer.

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