Alavancar a sustentabilidade e o desenvolvimento das atividades da vida rural na preservação da natureza é o desafio que leva o Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT) a investir 2,35 milhões de euros na área da Conservação da Natureza e Biodiversidade.
O projeto de conservação da natureza, biodiversidade e património natural é financiada pelo NORTE 2030, prevê a implementação de medidas de apoio ao desenvolvimento e sustentabilidade da biodiversidade das atividades do mundo rural. “Este projeto foi pensado, também para ter um impacto positivo nas comunidades locais, que não pretende impor medidas restritivas, mas sim promover a sustentabilidade do capital natural do Parque Natural do Vale do Tua e ao mesmo tempo, em equilíbrio, criar melhores condições naturais para o desenvolvimento das atividades agrícolas florestais pecuárias”, explica o diretor do PNRVT, António Luís Marques.

Dividido em quatro operações, o projeto prevê medidas de recuperação e proteção dos ecossistemas fluviais do PNRVT, que possuem uma notável importância para a conservação de espécies de elevado valor ecológico, nativas e raras, algumas das quais se encontram ameaçadas. Apesar do valor ecológico destes ecossistemas fluviais, alguns encontram-se sujeitos a impactos que afetam negativamente a sua estabilidade, pelo que o projeto vai trabalhar na sua recuperação e controlo da expansão de fauna invasora e reforçar a permeabilidade das barreiras antrópicas à ictiofauna.
A mesma atenção recebem os ecossistemas terrestres, estando prevista uma operação de recuperação e proteção dos habitats e da fauna selvagem. No PNRVT registaram-se 943 espécies, das quais 29 são de mamíferos com elevado valor conservacionista, sendo essenciais para assegurar o equilíbrio dos ecossistemas aqui presentes. Neste âmbito, a intervenção vai trabalhar a gestão do coberto de pastoreio, criação de áreas de clareira e recuperação de áreas de bosque para proteção e refúgio da biodiversidade, combater as invasoras lenhosas e preparar um plano de ação para a criação de zonas de conectividade e corredores ecológicos no PNRVT.

A terceira operação quer disponibilizar estruturas para recuperação e conservação da Fauna Selvagem – Aves, Morcegos e Insetos. O PNRVT constitui uma das zonas de maior interesse ornitológico de todo o interior da Região Norte, registando-se aqui 123 espécies de avifauna. São também de salientar as espécies de morcegos, que para além do seu valor conservacionista são eficazes contra 116 espécies de pragas no Vale do Tua.

Algumas das espécies de insetos, aves e morcegos presentes no PNRVT são nativas e raras, muitas das quais se encontram ameaçadas (tais como a Águia-de-Bonelli, o Morcego-de-ferradura mediterrânico, o Chasco-preto e o Bufo-real). Para preservar os habitats destas espécies o PNRVT quer criar e monitorizar abrigos e caixas-ninho para espécies de aves, morcegos e insetos, melhorar as condições de nidificação do Chasco-preto, implementar “charcas biodiversas”, isto é, de uso múltiplo, e reabilitar pombais.
Todas estas ações são acompanhadas de campanhas de informação e sensibilização, levando o conhecimento às comunidades com vista à valorização, proteção e promoção destes recursos naturais.

António Luís Marques explica o projeto com exemplos claros e concretos: “Entre as medidas está a gestão do coberto de pastoreio, com criação de áreas de clareira e recuperação de zonas de bosque, garantindo proteção e refúgio para a fauna. Esta ação envolve a implementação de pastoreio rotativo e seletivo para controlar a biomassa vegetal e reduzir o risco de incêndios, a instalação de sementeiras para aumentar a diversidade do habitat, repovoamentos com espécies-presa e a colocação de 50 abrigos para coelho-bravo”, indica.
“Será também desenvolvido um projeto-piloto para combate a invasoras lenhosas, complementado com plantações de medronheiro, azinheira e sobreiro”, acrescenta.

O VALE DO TUA É A ÚNICA ÁREA PROTEGIDA COM DISTINÇÃO STARLIGHT TOURISM DESTINATION, EM PORTUGAL
O Dark Sky® Vale do Tua abrange a totalidade do território do Parque Natural do Vale do Tua. É um dos espaços naturais mais preservados e autênticos de Portugal. A reduzida poluição luminosa permite observar um céu noturno de grande qualidade e uma paisagem marcada por rios sinuosos, vales profundos e uma relação ancestral entre a natureza e as comunidades locais.

Este território distingue-se por ser a única área protegida de Portugal certificada como Starlight Tourism Destination, assumindo-se como referência nacional no astroturismo sustentável. A certificação, atribuída pela Fundação Starlight, garante padrões elevados de conservação do céu noturno, qualidade da experiência turística e compromisso com práticas responsáveis, oferecendo segurança e credibilidade aos operadores turísticos.
Para além do céu noturno, o Dark Sky® Vale do Tua revela um distinto património arqueológico, onde monumentos megalíticos dialogam diretamente com os astros. A arqueoastronomia surge como um elemento diferenciador do destino, cruzando ciência, cultura e turismo experiencial, dando forma a produtos únicos que ligam o passado humano à observação do cosmos.
O Dark Sky® Vale do Tua apresenta-se como um destino de elevado potencial para operadores turísticos que procuram propostas exclusivas, sustentáveis e com forte identidade. É o território ideal para desenvolver programas de natureza, cultura e ciência, de elevada valorização internacional.
TUA FESTIVAL DE PERCURSOS PEDESTRES É O MAIOR DE PORTUGAL
Arranca em março a quarta edição do Tua Festival de Percursos Pedestres (TFPP), uma iniciativa promovida pelo Parque Natural Regional do Vale do Tua que volta a convidar participantes de todo o país e estrangeiros a descobrir o território através do turismo ativo e sustentável. O evento decorre ao longo de cinco fins-de-semana, passando por cada um dos concelhos que integram o Vale do Tua: Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor.
Com o objetivo de valorizar e promover o território, dando visibilidade à natureza, paisagem, património, cultura, gastronomia, tradições e identidade local, tendo como motivo central a realização de caminhadas em percursos pedestres homologados, o TFPP esgota a cada edição. “Este é o maior Festival de Percursos Pedestres de Portugal”, afirma, sem reservas, António Luís Marques, diretor do PNRVT.
No primeiro dia do Festival realizam-se atividades culturais, workshops, feiras e festas, promovendo o contacto direto entre os participantes e as comunidades locais; no segundo dia decorre a caminhada, que é o mote do festival. Este formato pretende incentivar a permanência dos visitantes no território durante dois ou três dias, contribuindo para a dinamização da economia, num calendário pensado estrategicamente para combater a sazonalidade turística, numa época tradicionalmente considerada baixa.

“O que notamos é que quem nos procura tende cada vez mais a participar em todas as atividades. Querem o contacto genuíno e próximo com as comunidades locais, que os acolhem sem reservas. Isto leva a uma maior permanência de quem nos visita no território, gerando valor para a economia da base familiar”, refere o diretor.
O evento arranca no dia 28 de março, em Alijó, com um Seminário certificado como Ação de Curta Duração (ACD) e reconhecido como formação contínua para renovação do Título Profissional de Treinador de Desporto, com créditos na componente específica de pedestrianismo.
No dia 29 de março realiza-se a caminhada no município de Alijó, marcada pela inauguração dos Passadiços de São Mamede de Ribatua, um percurso de 3,5 quilómetros, integrado numa Pequena Rota (PR) circular de oito quilómetros.
Em abril, nos dias 17, 18 e 19 o TFPP acontece em Vila Flor e chega a Murça nos dias 30 e 31 de maio. Nos meses mais quentes do verão, também período de maior afluência turística, há uma pausa, regressando o evento nos dias 19 e 20 de setembro ao município de Carrazeda de Ansiães. O encerramento está previsto para os dias 10 e 11 de outubro em Mirandela.
As inscrições já estão a decorrer:
https://parque.valetua.pt/tfpp26

