A Casa da Memória da Medicina Sefardita Ribeiro Sanches integra a Rede de Judiarias de Portugal, à qual o Município de Penamacor aderiu desde o primeiro momento. Para a generalidade do grande público, o que este espaço traz de novo é a, até agora pouco conhecida, dimensão do contributo dos judeus portugueses associados à prática e ao ensino da medicina, dentro e fora do Reino de Portugal, desde a Idade Média e até ao final do século XVIII.
Tal como o nome indica, o edifício permite, acima de tudo, compreender melhor a posição e o percurso de António Nunes Ribeiro Sanches, figura maior da história da medicina portuguesa, cuja obra e pensamento ultrapassaram largamente os limites da ciência médica. Reconhecido como um dos mais destacados médicos da Europa do seu tempo, Ribeiro Sanches afirmou-se como uma personalidade de proa do século XVIII, verdadeiro filósofo das Luzes e incansável divulgador dos seus ideais.

Estruturado em quatro áreas, o espaço convida o visitante a uma experiência de descoberta que se inicia com uma introdução à Rede de Judiarias de Portugal, prossegue pelo Corredor de Todos os Nomes — onde se destaca um mural com cerca de quinhentos nomes identificados em processos inquisitoriais do Santo Ofício dos tribunais de Lisboa, Coimbra e Évora — e continua na sala dedicada à Diáspora, que reúne alguns dos mais conceituados médicos dos séculos XVI a XVIII, como Garcia de Orta, Amato Lusitano ou Rodrigo de Castro. A última área, localizada no piso superior, é inteiramente dedicada a António Nunes Ribeiro Sanches, natural de Penamacor. Neste espaço, o visitante pode conhecer a sua vida e obra, a rede de contactos estabelecida com destacados intelectuais do século XVIII e o seu percurso pela Europa.
Os êxitos clínicos alcançados no tratamento de doentes pertencentes às mais elevadas esferas sociais — frequentemente em casos considerados desesperados e de difícil diagnóstico — granjearam-lhe reconhecimento, prestígio e consideração, tanto junto da alta sociedade como entre os mais humildes, a quem nunca recusou assistência. Na base deste merecido reconhecimento encontram-se um espírito sagaz e profundamente curioso, aliado a uma notável capacidade de trabalho e disciplina. A sua permanente vontade de alargar horizontes científicos levou-o a acompanhar de perto os avanços mais significativos do seu tempo em áreas como a medicina, a física, a química, a botânica e a anatomia.

Médico, filósofo, pedagogo e cientista, entre outros qualificativos, Ribeiro Sanches foi um dos mais eminentes “estrangeirados” empenhados na reforma da cultura filosófica e científica portuguesa. Iniciou os estudos universitários em Coimbra, em 1716, transferindo-se em 1719 para a Universidade de Salamanca, onde concluiu o curso de Medicina e obteve o grau de doutor. De origem cristã-nova, viu-se forçado a abandonar Portugal em 1726. Após um período de aprendizagem e circulação por vários países europeus, fixou-se em Paris, onde faleceu a 14 de outubro de 1783.
Este local museológico afirma-se como uma marca distintiva no panorama cultural regional e nacional, constituindo um fator de visibilidade e prestígio para Penamacor e um potencial dinamizador de fluxos e dinâmicas no domínio do turismo cultural.

