AS ÁRVORES SABEM ONDE FICA O SUL

AS ÁRVORES SABEM ONDE FICA O SUL

Há mais de vinte anos que Tristan Gooley percorre florestas, desertos e oceanos a decifrar o que a maioria das pessoas não vê.

O explorador britânico, que a BBC apelidou de «Sherlock Holmes da natureza», chegou recentemente a Portugal com Como Ler Uma Árvore, um guia ilustrado editado pela Pergaminho que promete alterar permanentemente a relação do leitor com a paisagem que o rodeia.

A premissa é simples e desconcertante: nenhuma árvore é igual a outra, e cada diferença tem uma explicação. O tamanho, o formato, a cor, o padrão dos ramos, tudo isso é informação. «Sempre que passamos por uma árvore, podemos reparar numa característica singular e encará-la como uma pista sobre o que essa árvore viveu e sobre o que revela do lugar onde estamos», escreve Gooley. Uma árvore, na sua leitura, é um arquivo da paisagem.

Entre as aplicações mais inesperadas está a navegação. As árvores crescem de forma assimétrica, mais vigorosamente para sul, onde a luz é mais intensa no hemisfério norte. Esse detalhe, invisível para quem passa sem reparar, pode funcionar como bússola. O Telegraph sublinha que, «nos nossos tempos de dependência do GPS, Gooley conseguiu reavivar a arte da navegação natural».

O autor não é um académico de gabinete. Liderou expedições em cinco continentes, escalou montanhas em três deles e atravessou o Atlântico a sós, guiando-se por técnicas de navegação viquingues. É fellow do Royal Institute of Navigation e da Royal Geographical Society. A sua escrita, segundo os próprios editores, combina ciência, história e ecologia com um sentido de curiosidade que resiste à especialização excessiva.

Como Ler Uma Árvore, traduzido por Michele Amaral, chegou às livrarias com a primavera, no passado mês de março. É o tipo de livro que funciona melhor lido devagar, de preferência ao lado de uma janela com árvores.

Cultura e Património