O Município de Terras de Bouro recebeu o “Prémio Abadesa Mariana”, atribuído pela associação galega Codeseda Viva, em reconhecimento pelo trabalho de conservação do troço da antiga via romana que integra o Caminho de Santiago da Geira e dos Arrieiros.
A distinção foi entregue mês passado, em A Estrada, numa sessão dedicada ao tema “valorizar o património e a hospitalidade ligada às rotas de peregrinação”.
Segundo a organização, o município foi galardoado “pela excelência na gestão e conservação do troço da Via Nova, entre as milhas XIV e XXXIV”, destacando-se “pelo magnífico estado de conservação, sinalética renovada e o cuidar constante deste património histórico”. O prémio foi recebido pelo vereador do Turismo, António Manuel da Cunha.

A cerimónia foi também palco de um debate sobre o futuro deste itinerário jacobeu, que registou um crescimento homólogo de 145% na atribuição de Compostelas. Personalidades como Xesús Palmou, da Academia Xacobea, o historiador Luís Ferro e a presidente da Associação Espaço Jacobeus de Portugal, Eulalia Fonseca, defenderam a necessidade de evitar a massificação do percurso. O número ideal de peregrinos foi estimado em cerca de dois mil por ano — uma baliza para garantir a sustentabilidade do caminho e preservar o vínculo autêntico entre as populações locais e quem passa.
Em 2025, o Caminho da Geira e dos Arrieiros justificou a atribuição de 757 Compostelas. Nos últimos nove anos, foi percorrido por mais de 7.785 peregrinos, de pelo menos 50 nacionalidades diferentes, de Portugal à China, do Japão ao Afeganistão.

Com 239 quilómetros, o percurso começa na Sé de Braga, atravessa Amares, Terras de Bouro e Melgaço, e entra na Galiza pela Portela do Homem. O seu valor patrimonial é único: inclui a Geira, uma das vias romanas mais bem conservadas da Península Ibérica, e atravessa a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés.

